Como de costume, todas as quintas-feiras, me rumo à Casa Espiritualista Mensageiros da Luz, aqui em Canoas. O espaço oferece palavras de conforto, passes e muita energia positiva. Mas a noite de 12 de abril de 2012 reservou uma surpresa negativa. Durante a sessão, a palestrante nos contou um fato, no mínimo revoltante. Alguns infelizes do bairro Nossa Senhora das Graças, o mesmo da Casa, resolveram “criar” um folder e distribuí-los nas caixinhas de correio da vizinhança. Por que digo infelizes? Distribuir panfletos é um ato normal, não? Eu por exemplo já levei muito susto de cão enraivado enquanto enchia as caixas amarelas. Mas se eu disser a vocês que no papel infame tinha a seguinte frase: “COBRA-SE PASSE ESPIRITUAL POR CINCO REAIS! Rua Tomé de Souza, nº 567”. No momento que a médium contou isto, todos a olharam de forma espantosa. No mesmo tempo, a mulher nos disse: “Se vocês receberam ou receberem esse informativo, não leve em conta o que consta nele. O endereço que está no papel é o da nossa rua, sim, mas nunca cobramos e nunca iremos cobrar a caridade. Isto é fraude!” Passado o comunicado da “irmã”, iniciou-se a palestra que é seguida de passe (não cobrado). Comecei a matutar. Que tipo de “ser humano” é esse? Será que eles querem manchar a fama dessa Casa que transmite fraternidade gratuita? Seria outra linha de religião do bairro que estaria com inveja da solidariedade praticada, e por isso decidiu gastar dinheiro e produzir material de divulgação? Religião que cobra é religião?
Muitas perguntas. Muitas dúvidas. Religião é um eterno paradoxo complexo. Na “dúvida”, (há alguma, João?) fico com a que me faz bem e que não cobra por isto.
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