terça-feira, 24 de abril de 2012

“Maracanazo” versão 2012

Já foi provado que no futebol não existe lógica. Que não é justo. O jogo de hoje à tarde entre Barcelona e Chelsea fez lembrar-me de Brasil e Uruguai, pela Copa do Mundo de 1950. Maracanã tomado. 200 mil almas naquela tarde de 16 de julho. Todas confiantes do primeiro título de uma seleção brasileira que ainda não vestia amarelo. Resultado final: tristeza e todos os seus sinônimos. A Celeste de Alcides Ghiggia, calou a massa presente no estádio e no rádio. 1 a 2. Era a derrota mais sofrida da seleção que ainda engatinhava para a primeira taça, que só viria oito anos depois, na Suécia.

Pois bem. Voltamos a 2012 e retornamos a Barcelona e Chelsea, jogo válido pelas semifinais da UEFA Champions League. Era a partida da volta na cidade catalã. A vantagem era do clube londrino. Na ida, diante de sua torcida, os azuis acharam um gol e ganharam. 1 a 0. Vantagem que dava o luxo de perder por 2 a 1. Não perderam. Empataram. 2x2. O Barça de “pulga” chamada Messi saiu na frente, com o gol do reclamão Sérgio Busquets. Em seguida, o experiente zagueiro capitão da seleção inglesa, John Terry aplicou um tostãozinho básico e discreto no chileno Alexis Sánchez. Mas o bandeirinha viu a atitude grotesca. Expulso e vantagem tamanha para o super time do Barça. Minutos depois, 2 a 0. Depois de lindo passe de Messi, Andrés Iniesta amplia e inicia o presságio para mais uma goleada. Era só um presságio. E falso. Os donos da casa mandavam na partida. Passavam e repassavam a bola na frente da meta do espetacular goleiro Peter Cech. Até que o brasileiríssimo Ramires (sim, o volante que o Mano Meneses esqueceu) recebeu um excelente passe de Frank Lampard e fez um gol à la Messi. Encobriu o fraco goleiro Victor Valdez. Golaço! Penteou a carequinha do espanhol. Gol da classificação à final antes do primeiro tempo? Sim! O time da casa voltou para o segundo tempo desclassificado. Precisava a qualquer custo de uma jogada genial de Xavi, Iniesta, Fàbregas e Messi. Veio um penalty. Era a chance do camisa 10 voltaram a fazer gol e classificar sua equipe a segunda final consecutiva de Liga dos Campeões. PLÁÁH! NO TRAVESSÃO! Sim, acredite. Messi, o homem dos gols bonitos e decisivos perdeu a cobrança. Assustou-se com o gigante de baixo das traves.

A torcida gritava, empurrava. E mais uma bola na trave do argentino, graças ao toque com as pontas dos dedos do goleiro do capacete – Cech sofreu uma grave lesão anos atrás em uma partida, daí resolveu adotar a proteção.



Todos do time inglês viraram defensores. O técnico com cara de boi, Roberto Di Matteo, resolveu sacar o marfinense Didier Drogba e colocar Fernando Torres, o loirinho espanhol em má fase. O coitado foi defender também. Mas não é que aos 47 minutos quica uma bola da Adidas na frente dele, e o mesmo resolve correr meio campo até chegar à Victor Valdez. Dribla-o e toca para o gol vazio. O Camp Nou com mais de 95 mil crânios estava calado. O time da moda estava sendo eliminado. Era o Maracanzo versão 2012.

Agora o Chelsea FC espera seu adversário, que sai amanhã, entre Real Madrid e Bayern, de Munique. A vantagem é dos bávaros, que venceram o primeiro confronto por 2 a 1.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Em Munique, surpresa. Em Londres, também



Para os que acompanharam Bayern, de Munique e Real Madrid, ontem, pela Liga dos Campeões da UEFA, apenas uma impressão: surpresa. Ao menos para mim. Claro que Bayern é Bayern. É e sempre será o clube copeiro e de camisa pesada. Mas não imaginava ontem o banho de bola que os alemães dariam sobre os espanhóis. Futebol sanguíneo. Fazendo jus a sua camiseta encarnada.

O time de Munique colecionava em seu território, oito vitórias e um empate em jogos de Liga contra os Merengues. O tabu foi mantido. Cristiano Ronaldo estava apagado e com as preocupações de se arrumar no telão. Özil, o alemão com cara de costa-riquenho, ascendeu só no gol achado (o de empate), depois, voltou a desligar até ser substituído pelo brasileiro Marcelo, que ainda livrou-se de uma expulsão. O ex-jogador do Fluminense acertou em cheio o meia-atacante Thomas Müller, e o fraco árbitro da partida, sir Howard Webb, apenas amarelou o lateral.

Quanto os jogadores do Bayern, destaco um francês e um alemão. Frank Ribery (autor do primeiro gol), o elétrico. Mario Gomez (marcou o gol da vitória), o “Super Mário”, que mereceu marcar o gol determinante da partida. O gol da vitória. O gol que faz a classificação à final – que será na sua casa – sorrir para os alemães. O time da Alemanha buscou incessantemente a vitória. Foi valente, porém não “bateu” para isso. Já o Real deixou a desejar.

Erros dos madrilenhos e boa atuação dos bávaros. Ponto.


Não foi o Chelsea quem ganhou. Foi o Barcelona quem perdeu.




O que eu não cogitava, aconteceu. Chelsea venceu o Barcelona. 1 a 0.

O time londrino, comandado por Roberto di Matteo (um italiano frio e com cara de boi), aproveitou a baixa temperatura da cidade e congelou Messi e companhia.

Alexis Sánchez, Fàbregas e Sérgio Busquets perderam muitos gols. A maioria dos passes foi do craque Lionel Messi, que estava muito bem marcado pelo experiente zagueiro John Terry (aquele mesmo que teve um caso com a mulher do companheiro de clube, Wayne Bridge).

O resultado magrinho, que me deixou surpreso (de novo), veio no final do primeiro tempo. O inglês Frank Lampard fez um lançamento de 40 metros para Ramires (sim, o volante esquecido pelo Mano Menezes), que matou a pelota no peito e cruzou rasteiro para Drogba definir o placar do jogo de ida da semifinal.

Não acho que a derrota custe caro para os catalães. Lá no Camp Nou a história e diferente. Mas que é um resultado surpreendente, é. Assim como os dos alemães. Já estava projetando duelos tranquilos para os espanhóis bons de bola.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Fato infeliz no bairro

Como de costume, todas as quintas-feiras, me rumo à Casa Espiritualista Mensageiros da Luz, aqui em Canoas. O espaço oferece palavras de conforto, passes e muita energia positiva. Mas a noite de 12 de abril de 2012 reservou uma surpresa negativa. Durante a sessão, a palestrante nos contou um fato, no mínimo revoltante. Alguns infelizes do bairro Nossa Senhora das Graças, o mesmo da Casa, resolveram “criar” um folder e distribuí-los nas caixinhas de correio da vizinhança. Por que digo infelizes? Distribuir panfletos é um ato normal, não? Eu por exemplo já levei muito susto de cão enraivado enquanto enchia as caixas amarelas. Mas se eu disser a vocês que no papel infame tinha a seguinte frase: “COBRA-SE PASSE ESPIRITUAL POR CINCO REAIS! Rua Tomé de Souza, nº 567”. No momento que a médium contou isto, todos a olharam de forma espantosa. No mesmo tempo, a mulher nos disse: “Se vocês receberam ou receberem esse informativo, não leve em conta o que consta nele. O endereço que está no papel é o da nossa rua, sim, mas nunca cobramos e nunca iremos cobrar a caridade. Isto é fraude!” Passado o comunicado da “irmã”, iniciou-se a palestra que é seguida de passe (não cobrado). Comecei a matutar. Que tipo de “ser humano” é esse? Será que eles querem manchar a fama dessa Casa que transmite fraternidade gratuita? Seria outra linha de religião do bairro que estaria com inveja da solidariedade praticada, e por isso decidiu gastar dinheiro e produzir material de divulgação? Religião que cobra é religião?

Muitas perguntas. Muitas dúvidas. Religião é um eterno paradoxo complexo. Na “dúvida”, (há alguma, João?) fico com a que me faz bem e que não cobra por isto.